[Ubuntu-BR] vida de DBA

francisco mendes caruso personal_coroa em hotmail.com
Quarta Setembro 17 14:19:53 UTC 2008


OK Obiwan , é assim mesmo...ate na MS....

 
QUICO CARUSO
o seu personal_coroa

> Date: Wed, 17 Sep 2008 11:23:25 -0200
> From: lpcnew em gmail.com
> To: eversonbsb em gmail.com; gustavo em gustavodantas.com; faelgodinho em gmail.com; flavioperigote em gmail.com; alyssonosmar em gmail.com
> CC: dfjug em grupos.com.br; php-pt em yahoogrupos.com.br; t2ti-starter em googlegroups.com; ubuntu-br em lists.ubuntu.com
> Subject: [Ubuntu-BR] vida de DBA
> 
> Diário de um DBA
> 
> Olá pessoal. Nesta coluna vou descrever uma página de um diário de um DBA,
> mostrando todas as típicas situações que um profissional que trabalha nesta
> área se depara no dia-a-dia. Infelizmente qualquer semelhança com a
> realidade não é mera coincidência e os fatos que são relatados neste diário
> são reais e podem ser encontrados em muitas empresas brasileiras.
> 
> *07h:50. Chegada ao trabalho. Chego 10 minutos mais cedo para ver se consigo
> adiantar alguma coisa antes que todos os analistas e o chefe cheguem, apesar
> de ter saído mais tarde ontem. Como sempre acontece neste horário, um dos
> analistas está com as duas páginas principais do jornal esportivo Lance!
> abertas em cima da sua mesa. Ele me dá um olá e começa a comentar sobre os
> melhores lances da partida do dia anterior.*
> 
> *08h:10. Finalmente o analista percebe que não estou interessado nos erros
> do bandeirinha. Sento na minha desconfortável cadeira (o chefe é o único que
> possui uma cadeira de couro e boa) e me logo na estação. 25 e-mails não
> lidos, 8 são discussões a respeito de um usuário insatisfeito com um
> sistema, 10 são spam, 1 é parabéns pelo aniversário de um funcionário que
> não conheço. Os demais não consigo entender porque foram encaminhados para
> mim, já que são sobre a especificação de um sistema que ainda nem foi
> contratado.*
> 
> *08h:50. Após checar os logs de erros dos servidores descubro que um SQL
> Server de uma filial foi reiniciada e não subiu. Logo pela VPN e já inicio o
> serviço. Enquanto isso os analistas se divertem mandando os estagiários
> atenderem os telefonemas dos usuários e dizer que os sistemas estão fora
> porque os usuários pressionaram um botão errado. Sem sinal do chefe.*
> 
> *09h:05. Digitando um e-mail para o pessoal de infra cobrando uma explicação
> do problema do reinício e demais pendências, entre elas: compra de mais
> memória para o servidor (atrasado 1 semana), compra do novo nó do cluster do
> SQL Server (atrasado 1 mês), instalação do service pack nas máquinas (já
> perdi a conta do atraso) e autorização para acessar o site
> www.microsoft.comque foi bloqueado pelo Firewall por engano. Ah, não
> posso esquecer de mandar
> o e-mail para o help desk trocar o meu monitor que apresenta uma faixa verde
> no meio da tela faz 3 semanas. Na última vez que eles vieram trocaram o meu
> mouse ótico por um analógico e nem sequer repararam no monitor.*
> 
> *09h:25h. Os analistas começam a receber os telefonemas dos usuários
> enquanto eu vou pegar um café. Sem nenhuma surpresa descubro que o café é
> basicamente o que sobrou de ontem requentado. Preparo um chá de camomila
> enquanto ouço um analista conversando com um usuário:*
> 
> *"bla bla bla... o sistema funciona... bla bla bla... você quer que eu
> resolva da maneira certa ou da maneira rápida? Bla bla bla..."*
> 
> *Penso comigo mesmo: lá vem. Ainda sem nenhum sinal do chefe.*
> 
> *09h:50h. Tentando voltar um backup em fita para o analista resolver o
> problema do usuário que apagou uma linha da tabela de clientes por engano. A
> fita de backup LTO contém 100 GB de dados, mas vou ter que arrumar um
> servidor para descompactar o banco inteiro apenas para recuperar uma linha
> que foi apagada pelo usuário. E o mais rápido possível, porque o analista
> prometeu resolver "a parada" para o usuário em 5 minutos. Paro o processo de
> remoção de arquivos contendo pornografia no servidor deixados pelo analista
> que pediu demissão na semana passada. Começo a procurar a fita de backup no
> meio do armário que é a casa de duas lagartixas e um aranha (apelidada
> carinhosamente de Lady Aracnea, quase um mascote do setor).*
> 
> *10h:15. Perco uma aposta. Todo dia fazemos uma aposta para ver qual será o
> horário que o analista conhecido como Irmão chegará. Desta vez ele chegou às
> 10:15, ainda longe de bater o seu recorde, que foi às 11:40. O ganhador foi
> o estagiário que ficou 75 centavos mais rico. Na próxima eu acerto!*
> 
> *10h:45. O backup está restaurado com sucesso. Em cinco minutos volto uma
> linha com o cliente que foi removido. Detalhe: somando todos os campos
> tínhamos menos de 75 caracteres, que o usuário se negou a digitar novamente.
> Volto aos meus afazeres já atrasados: reescrever uma stored procedure que
> utiliza cursores em uma tabela de 100.000 linhas e que não continha nenhum
> índice. Nada do nosso pouco-amado chefe.*
> 
> *11h:15. Temperatura Wars. Enquanto os analistas montam uma gang para
> abaixar o ar condicionado, os estagiários, programadores e demais membros se
> unem para aumentar a temperatura. Já posso ouvir o som de correntes e facas
> sendo afiadas. Tento me isolar desta guerra e me concentrar na stored
> procedure que tem nomes de variáveis iguais aos nomes de planetas: SATURNO1
> para armazenar o código do cliente, PLUTÃO69 é o saldo do estoque de um
> produto....*
> 
> *11h:32. Entrada triunfal do chefe. Posso ouvir o pressionar das teclas
> ALT+TAB em cascata e conversas sendo abruptamente interrompidas. De fundo
> quase dá para ouvir a marcha imperial do STAR WARS enquanto o chefe se
> dirige à sua mesa que está no final da sala, onde ele pode ver o que está
> sendo apresentado em todos os monitores.*
> 
> *11h:45. Início das discussão sobre o local do almoço pelo MSN. Uns querem
> ir no restaurante por kilo e outros querem ir na padoca-barata-na-parede
> porque é mais barato. Digo que vou em qualquer lugar, desde que aceite o meu
> ticket de R$ 6,50 e dê para comer algo digno. O chefe se levanta e fala que
> vai em uma reunião e volta só depois do almoço. Enquanto isso o Transaction
> Log de um banco criado por um analista estoura e a HD do servidor fica sem
> espaço. Preparo o meu Taser para fritar o desgraçado que criou um banco de
> dados sem passar por mim.*
> 
> *11h:55. Ápice da produtividade. Posso ouvir mais de um teclado trabalhando
> ao mesmo tempo na sala: o meu e mais o da analista consultora que trabalha
> por hora e que é a única mulher do departamento. Finalmente decide-se que o
> almoço vai ser na barraquinha de cachorro quente do tiozão em frente à
> delegacia, pois de lá é possível ver os presos chegando e tirar um sarro com
> a cara deles, de acordo com um programador.*
> 
> *11h:59. Ninguém respira. Todos os olhares apontados para o relógio da
> parede. A tensão cresce, o suor escorre no rosto dos analistas. E eu rodando
> um profiler no servidor de produção para descobrir qual sistema está
> sobrecarregando o servidor de produção do ERP e do CRM. Resultado: um
> programa de terceiro faz um loop para pegar a mesma linha dez vezes sem
> nenhuma otimização na consulta.*
> 
> *12h:00. Saída para o almoço. Há um tunelamento de pessoas na porta do setor
> que não é nada comparado à fila do elevador. Escolho descer 8 andares de
> escada, onde passo pelos fumantes, o cara do almoxarifado dando uns amassos
> na moça da copa e uma série de caixas de papelão contendo o servidor com o
> nó de cluster que pedi! Finalmente descobri porque ninguém sabia onde ele
> estava....*
> 
> *12h:15. Espera dos companheiros para o almoço já fora da empresa. Sempre
> tem um que se desculpa dizendo que encontrou com o chefe no corredor.
> Preciosos 15 minutos perdidos.*
> 
> *13h:05. Retorno do almoço. Obviamente alguns colegas se atrasam porque
> foram passar no banco ou na farmácia. Como sempre, vem aquela solicitação
> para o DBA rodar um UPDATE na tabela que contém o horário de entrada e saída
> para almoço. Digo que vou pensar no caso.*
> 
> *13h:10. Começa o rodízio da ida ao banheiro. Como o departamento possui
> apenas um toilette masculino, há muito tempo foi definida uma ordem de quem
> vai escovar os dentes e outras "tarefas". O segundo analista que sai do
> banheiro levanta os braços orgulhoso e diz que "a coisa tá feia". Com a
> porta aberta começamos a sentir a radiação emanada pelo local. A consultora
> faz o sinal da cruz e eu vendo a minha vez para ir ao banheiro para o
> estagiário que decidiu comer três cachorros quentes com direito a todos os
> acompanhamentos.*
> 
> *13h:20. Retorno meus afazeres montando uma rotina de expurgo. O sistema de
> vendas da empresa tem pedidos desde 1980 armazenados na mesma tabela, que
> diariamente recebe reclamações dos usuários a respeito da lentidão. Lembro
> que comentei isso com o chefe, mas ele me reprimiu dizendo energicamente que
> "talvez precisem dos dados um dia desses e devemos mantê-los na base".
> Resultado: tenho que otimizar de outra forma.*
> 
> *13h:45. Soneca time. Com a barriga cheia e calor típico do nosso pais é
> possível observar o fenômeno da cochilada presente no departamento. O
> primeiro a dormir é o analista responsável pelo sistema de estoque, que
> possui mais de 15 chamados em aberto (um bug está desde 2001 sem correção).
> Há uma disputa para ver quem consegue fotografar com o celular primeiro a
> performance da soneca.*
> 
> *14h:00. Vou para uma reunião com o pessoal de infra para cobrar as
> pendências e, de acordo com o chefe, "alinhar o posicionamento estratégico
> do nosso departamento com as demais áreas". Depois de 15 minutos esperando
> chega o coordenador do suporte e de infra. Cobro as memórias, o nó do
> cluster e a aplicação dos services pack. Eles me dão os parabéns por ter
> achado o servidor perdido no corredor. Depois de 5 minutos não dá mais para
> a continuar a reunião porque os celulares deles não param de tocar. Reunião
> adiada para semana que vem.*
> 
> *14h:30. Volto para o departamento. Um analista me chama à sua mesa para que
> eu dê uma olhada no diagrama entidade relacionamento que ele montou. Quando
> cito a terceira forma normal ele faz uma cara de quem viu a Dercy Gonçalves
> sem roupa. Perco mais 20 minutos tentando explicar o que é normalização,
> dependência funcional, chaves primárias compostas...*
> 
> *14h:52. O chefe liga para mim desesperado e diz que ainda está no almoço.
> Ele quer um plano de ação para a instalação de um novo servidor de banco de
> dados em uma filial nova da empresa, que será criada em uma cidade com menos
> de 50.000 habitantes. Ah, ele quer este documento no e-mail dele em 10
> minutos, sendo que eu nunca tinha feito um plano de ação antes.*
> 
> *15h:20. Fiz o meu melhor para montar o plano de ação, mas quando estava no
> final o link com a Internet cai. Ao primeiro sinal que ninguém mais consegue
> checar o e-mail vejo tabuleiros de dama, dominós, baralhos e até uma gaita
> aparecerem no departamento. Ligo para a infra e descubro que "por um motivo
> desconhecido" a redundância de link com a Internet não foi acionada. Sem
> previsão de retorno. Pego o meu caderno e começo a organizar as pendências,
> tarefas e demais assuntos. Aproveito a pausa para fazer algumas ligações:
> ligo para a empresa do sistema de catracas que exigiu que a senha do login
> fique em branco para que o sistema funcione. Cobro novamente o meu monitor
> com o suporte. Fico 15 minutos no telefone com o pessoal do Data Center para
> explicar a eles que a estratégia de backup é falha, insegura e que é preciso
> uma revisão no processo.*
> 
> *16h:00. O chefe chega do almoço nervoso e após dar dois socos na mesa
> resolve ele mesmo descer até o departamento de infra e cobrar o retorno do
> acesso à Internet. Milagrosamente o link volta depois de 2 minutos que ele
> saiu da sala.*
> 
> *16h:20. Há um chamado urgente do suporte que é encaminhado ao analista: o
> sistema de RH está lento e se continuar assim não será possível fechar a
> folha de pagamento a tempo. Pressão psicológica, imagino eu, pois se o
> sistema não voltar a funcionar teoricamente ninguém recebe o pagamento no
> final do mês e a culpa é da TI. O analista não tem a menor idéia do que o
> módulo faz, pois não foi ele quem desenvolveu e esta parte sempre funcionou
> bem. Lá vou eu parar o que estava fazendo para rodar um profiler, analisar
> plano de execução, seguir a seqüência de encadeamento de triggers. Nem me
> preocupo em perguntar sobre a documentação para o analista, pois aprendi da
> pior maneira que a palavra documentação por aqui representa um mito.*
> 
> *17h:00. Descobrimos o erro. Havia dois triggers com cursores encadeados
> dentro da tabela que armazena os recebimentos da empresa. Após retirar os
> cursores, otimizar os triggers e testar o sistema convenço o analista a
> gerar uma nova versão e atualizar o executável. Como resposta do usuário
> recebo um "ainda bem que a TI resolveu desta vez". Mais um feliz usuário que
> não tem a menor idéia da complexidade do sistema e do banco de dados.*
> 
> *17h:05. O chefe vai embora. Depois de olhar o documento que eu me esforcei
> para montar (o tal do plano de ação) ele me diz que a diretoria resolveu
> cancelar a criação da nova filial hà cinco minutos. Mais uma vez, ele vai
> embora e diz que todas as horas extras vão para um banco de horas que será
> negociado no futuro. Alguns analistas já mantêm uma atualização diária do
> currículo. Volto a trabalhar na rotina de expurgo.*
> 
> *17h:40. Com os dedos cruzados torço para ir para casa no horário. Atualizo
> a planilha de tarefas semanais e bate uma tristeza quando vejo que faz 10
> dias que não consigo sair antes das 19:00.*
> 
> *17h:55. Tensão no departamento. Todos já estão devidamente enfileirados
> para ir embora quando o telefone toca. Todos olham uns para os outros e
> ninguém se arrisca a atender. Como é o telefone da minha mesa sobra para
> mim. Resultado: a filial da região Sul perdeu o HD e é preciso instalar
> novamente o banco de dados inteiro, pois amanhã é dia de grande movimento.
> Enquanto procuro os CDs de instalação do SQL Server 2000 (sim, ainda não
> houve migração para o 2005) ouço todo mundo ir embora e fazer piadinhas
> sobre a vida dura que é ser um DBA.*
> 
> *19:35. Finalmente terminei. Instalação, restoração de backup, configuração
> de opções do servidor, criação de logins, permissões, servidores linkados,
> dispositivos de backups, jobs, alertas, acerto da collation, recriação e
> reindexação de índices. Tudo isso pronto em quase uma hora e meia. Já estou
> ficando bom nisso, porque da outra vez eu demorei três horas para fazer tudo
> isso de madrugada. Pego minhas coisas e vou embora quando já é noite, apenas
> para descobrir que o estacionamento da empresa cobra taxa adicional para
> saídas fora do horário normal.*
> 
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