[Ubuntu-BR] AutoCad para Linux
Paulo de Souza Lima
paulo.s.lima em gmail.com
Sábado Junho 12 23:51:40 UTC 2010
>
> Isso que você escreveu realmente é inevitável, de um jeito ou de
> outro, isto é, ou os profissionais da área de mobilizam ou a sociedade
> ou todos, inevitavelmente o monopólio da Autodesk irá acabar, mas além
> desse problema que você salientou muito bem nessa área existe um
> outro:
>
> Existem pessoas que trabalham nessa área que querem usar Linux, mas
> mesmo com o padrão de documento aberto essas pessoas não o farão
> simplesmente pelo fato de no Linux não existir tal ferramenta.
>
> Claro que em um contexto onde o conhecimento é compartilhado
> ferramentas e outros métodos de trabalho serão implementados de acordo
> com o novo paradigma, isso no entanto, não acontece de sexta para
> segunda já que envolve uma cultura que deve ser alterada, mas eu tenho
> projetos para entregar na segunda e até lá acredito que ainda não
> tenhamos atingido tal nível de evolução.
>
É verdade...
> Com isso não estou defendendo o modelo atual, simplesmente dizendo
> que o inevitável já está acontecendo. Ao termos uma ferramenta CAD no
> Linux além de estarmos preservando a liberdade do usuários de escolher
> o sistema operacional que desejar ainda estamos abrindo as portas para
> que o software livre com seu modelo de código aberto se instale em
> mais um nicho da sociedade que até agora o discriminava.
>
> Percebi que você tem bastante conhecimento do assunto então gostaria
> de lhe perguntar sobre a possibilidade de ocorrer uma mudança iniciada
> pelo outro lado, isto é, em vez de um padrão aberto o qual todos os
> programas abaixo dele devam se adequar, começar a mudança com um
> "programa proposta" (mais ou menos o que o Inkscape faz simplesmente
> começam aparecer .SVG e se é obrigado a instalar o programa) criar um
> programa CAD multiplataforma com padrão de documentos aberto que
> reconheça os padrões existentes (como o OpenOffice faz), simplesmente
> pelo fato desse programa serlivre começa se disseminar (e essa parte é
> fácil porque a engenharia é uma área muito comercial qualquer redução
> de custos é sempre bem vinda e quem desenha mesmo é o desenhista
> dificilmente o engenheiro ou arquiteto), forçando assim a adoção de um
> padrão aberto?
Vamos por partes, como diria, Jack. Não sou tão entendido no assunto
quanto gostaria, mas estou estudando pra isso.
Eu acho que a necessidade de padrões abertos não era evidente há
alguns anos atrás e que a questão do ODF abriu caminho para que
governos e empresas compreendessem a importância deles. A importância
deles não é mais discutida, é evidente. O que acontece é que em certas
áreas ainda não se deram conta disso. E o que eu acho uma vergonha é a
classe dos engenheiros ainda não ter tomado conhecimento do assunto,
quando deveria estar à frente das discussões.
Eu não sou um utilizador de programas de engenharia, mas eu acho que
quem é técnico ou engenheiro deveria se preocupar com esse tipo de
coisa. Por isso, eu acho que quem é desse meio, e tem interesse em
utilizar padrões abertos e ferramentas livres, deveria começar a fazer
barulho. Por barulho eu entendo começar a levantar o assunto nos
CREAs, através de palestras, workshops, eventos, etc. As universidades
e centros de pesquisa deveriam estar discutindo isso junto com a ABNT
e os organismos internacionais.
O que eu acho difícil é começar pela ferramenta, porque, como o
formato é proprietário e fechado, fazer engenharia reversa para
compatibilizar soluções livres é complicado a contraproducente. Daqui
um ano, a versão do programa da Autodesk muda e a compatibilidade vai
pro saco. Isso acontece até hoje com o OpenOffice.org e os aplicativos
da Microsoft.
Essas coisas já estão acontecendo. Enquanto estamos aqui
conjecturando, empresas como Serpro, Caixa Econômica Federal, Banco do
Brasil, Petrobras e cerca de 50 outras empresas públicas e privadas
brasileiras assinaram o Protocolo de Brasília. Trata-se de um
compromisso dessas empresas em optar preferencialmente por padrões
abertos de documentos. Juntas, essas empresas têm orçamentos de TI na
casa de vários milhões de reais. Aliás, foi esse evento que trouxe
Steve Ballman ao Brasil há cerca de 2 meses: a Microsoft estava se
borrando de medo. Pelas notícias que tenho, Petrobras já migrou 90 mil
computadores para SL. A CEF cerca de 150 mil e vai ter 100% das
estações de trabalho de seus funcionários rodando Linux e BrOffice.org
até o final do ano que vem. O Banco do Brasil está indo pelo mesmo
caminho. O Ministério do Planejamento passou a exigir que os
prestadores de serviço tenham capacidade de fornecer soluções software
livre. Isso vai abrir um caminho enorme para pequenas empresas que
querem prestar serviço para o governo federal. No Paraná, temos na
Assembleia Legislativa, o apoio do deputado pastor Edson Praczyk,
autor da lei que obriga as instituições estaduais a utilizarem
preferencialmente software livre e padrões abertos na administração
pública estadual.
Pouca gente sabe, mas o fato de governos europeus, e de outros países
do mundo, estarem adotando padrões abertos foi um acontecimento
protagonizado pelo Brasil. Quando a Microsoft conseguiu que a ISO
aprovasse o OpenXML como padrão no OASIS, a ABNT informou a ISO que
não adotaria o padrão e que utilizaria o ODF. O governo brasileiro
começou a utilizar o ODF ostensivamente, e mostrar ao mundo que era
possível viver sem padrões fechados. O resultado foi que os governos
europeus *desautorizaram* seus departamentos normativos e, a despeito
do "padrão" da Microsoft ter sido aprovado, eles começaram a utilizar
o ODF e ferramentas livres. Essa história eu ouvi recentemente da boca
de Paulo Maia da Costa, Diretor de Projetos de TI da CEF, portanto,
pode acreditar que não é "achismo".
Por isso eu digo que, na minha modesta opinião, eu acho que esse tipo
de iniciativa é que força as coisas a mudar. Em breve, quando
Petrobras, CEF, BB e outras grandes empresas começarem a exigir que
seus contratados utilizem padrões abertos para documentos de
engenharia, isso vai gerar uma demanda enorme e vai forçar as empresas
a começarem a usar alternativas.
Também é preciso de um pouco de esforço e boa vontade de quem quer que
as coisas mudem para melhor. Esperar que as coisas mudem, pra depois
embarcar na moda e começar a dar palestras, como se fosse o guru
bambambam, como vejo muitos oportunistas por aí fazendo, é muito
fácil.
Abraço
More information about the ubuntu-br
mailing list